terça-feira, 21 de setembro de 2010

Mórmons Maçons, uma Reflexão

O seguinte texto foi retirado sem cortes do Blog Mórmons Maçons. Até onde vão minhas experiências e estudo, não cito uma razão sequer para refutar a honestidade e moral do texto que segue. Recomendo uma cuidadosa leitura. Atenciosamente,
Moroni Lemes


“Um maçom é obrigado a obedecer à lei moral e, se compreender bem a Arte, nunca será um ateu estúpido, nem libertino irreligioso. De todos os homens, deve ser o que melhor compreende que Deus enxerga de maneira diferente do homem, pois o homem vê a aparência externa, ao passo que Deus vê o coração. Seja qual for a religião de um homem, ou sua forma de adorar, ele não será excluído da Ordem, se acreditar no glorioso Arquiteto do Céu e da Terra e se praticar os sagrados deveres da moral...." (Manual do Rito Moderno - Editora A Gazeta Maçônica – 1991 - José Castellani)

Ao meu irmão Mórmon que se aventurar por entre estas linhas, se estiver deveras atento a leitura, não terei dúvida alguma em afirmar que sem muito esforço, ao final do texto, mais uma vez concluirá que os rituais da Maçonaria não são impedimentos ao Santo dos Últimos Dias fiel e digno que deseje ser iniciado Maçom.
Receoso de estar beirando a redundância, volto a afirmar que ninguém terá que ser iniciado Maçom afim de que saiba que na Maçonaria a crença em uma divindade é exigência inalterável. Quem já pesquisou, um mínimo que seja, sobre nós, sabe que é fato irrefutável, que a Maçonaria regular não faz concessões a ateus objetivando recebê-los entre nós.

Tenho observado algo interessante nos críticos, (tanto mórmons quanto não mórmons), da Maçonaria. Alguns destes (críticos) que não são mórmons, de forma sistemática tem lançado suas lanças envenenadas também contra a “A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”, desconcertado observo que neste momento alguns de meus irmãos mórmons têm lhes dado crédito. Muitos insistem em ignorar que a Maçonaria é uma fraternidade que estar em constante busca da verdade, que tem como lema encorajar seus membros ao respeito mútuo, visando com isso conservar os mais elevados princípios morais, com estrita honestidade de propósito e integridade em todos seus assuntos.

Sou grato aos meus colaboradores que sempre me enviam textos e ou referencias que julgam adicionar algo a meu conhecimento, sei que tenho muito a aprender, morrerei e todo o conhecimento que tiver adquirido será tão ínfimo que nem Pitágoras conseguiria imaginar uma equação que o calcule. Obrigado incansáveis trabalhadores da Arte Real.

Já faz alguns dias, quando iniciei a compilação deste texto, na ocasião fui presenteado com uma prazerosa tarde de troca de idéias com um irmão Mórmon que têm se mostrado radicalmente contrário a filiação de um Mórmon com a Maçonaria, em uma de suas fala ele disse: “Ao iniciar na Maçonaria, e tornar isto publico, você acabou com sua carreira na Igreja, ao decidir ser Maçom você abriu mão de suas heranças como líder; ele disse ainda: “nós não estamos preparados para novamente ter líderes maçons, o mundo não suportaria vocês dentre nós mais uma vez, a pressão seria muito forte...” (com a permissão deste amigo gravei em meu celular nossa diálogo, meu objetivo desde o início foi transcrever em algum momento, aquilo que dissemos, na ocasião pensei que de alguma forma poderia encaixar as palavras dele em um novo texto, aqui estão elas, mas é lógico que vocês compreendem não ser possível citar seu nome). As palavras de meu irmão Mórmon deixou em mim a forte impressão de que a intolerância em todas as suas formas sempre estará presente em nosso dia a dia. É triste para mim, quando Mórmon, saber que o preconceito por parte de meus irmãos nunca nos deixará. A intolerância tem sido infligida aos mórmons maçons como se esta fosse a cura para uma enfermidade. Fica em mim a impressão de haver sido tatuado a ferro e fogo, igual aos quadrúpedes ruminantes criados com objetivo de ordenha e abate. Esta marca indelével, que pejorativamente nos têm sido aplicada por parte daqueles que se imaginam portadores absoluto da verdade, embora eles não enxerguem, é a mesma que nos expulsou de Kirtland, Ohio e Illinois.

Parece que a caça as bruxas, deflagrada contra a Maçonaria, é o único consenso conquistado por todos os seguimentos do cristianismo (sic). É fácil encontrar textos digitados com o firme propósito de nos atacar sob a alegação de que nossos objetivos são diferentes daqueles que buscam ajudar a humanidade. Estas manifestações de incoerência, das quais, a Maçonaria tem sido vitima, estão alicerçadas no preconceito e na irracionalidade. Ao nos repudiarem, alguns em suas falas têm dito que a Maçonaria é praticantes de uma falsa religião. Alegam que criamos dogmas com o objetivo de destruir a verdade divina.

Outra coisa que parece incomodar a algumas pessoas é o fato de sermos sigilosos, nossos críticos não entendem que nosso sigilo se explica pela necessidade de discrição, nada tendo a ver com o significado pejorativo da palavra secreto, embora hoje alguns maçons na tentativa de amenizar a situação prefiram ser identificados como sigilosos, eu ainda insisto em ser tratado como secreto, esta minha preferência justifica-se pelo significado literal da palavra que nada mais é do que: “Íntimo, interior, particular” (vide Dicionário Aurélio). É este o contexto de nosso segredo. Aos meus irmãos mórmons que pensam na Maçonaria como uma organização secreta (pejorativo), lembro que assim como as confissões de SUD ao seu Bispo é inviolável, e por ser, não podem ser rotuladas pejorativamente de secretas, são os segredos da Maçonaria, nosso sigilo se explica pela necessidade de preservação, não somos agressores ou violadores, na realidade somos vitimas, se nos mantemos em alto nível de sigilo o objetivo é nos proteger, e por procedermos assim, isto não nos torna maus ou bons, apenas ajuda a proteger rituais milenares, pois se não fosse assim, talvez hoje não existíssemos mais, seriamos, talvez, uma forma corrompida de Maçonaria. Penso que já teria acontecido com a Maçonaria o que aconteceu com o cristianismo anterior a restauração, que teve seus rituais corrompidos pelos “bem intencionados”.

A Maçonaria é tão aberta quanto os rituais do templo, que embora acessíveis a uns poucos, foi planejado para todos. Nós maçons nos enclausuramos motivados pela necessidade de preservação da forma correta de se fazer Maçonaria.

Tenho lido alguns autores que acusam a Maçonaria de planejar ser a substituta do cristianismo. Caro leitor, nem mesmo desejamos ser seu concorrente, a expressão correta a ser aplicada quando alguém se referir a Maçonaria em relação cristianismo seria parceiros. Mesmo após iniciado um Maçom é livre para seguir com sua fé religiosa, além de ser incentivado a agir conforme os ditames de sua própria consciência. Tenho repetido quase compulsivamente estas coisas, inclusive como respostas aos e-mails que recebo. Nestes e-mails tenho notado certo grau de malevolência da parte de meus irmãos mórmons, os que me escrevem dizem (alguns deles) sentirem-se incomodados por minha escrita, eles afirmam que sou um apostata e que com meus textos tento destruir nossa fé.

Não deveria ser assim, a verdade não deveria incomodar, pois escrevo apenas para tentar mostrar que a Maçonaria não combate do outro lado do front de batalha, estamos do lado dos mocinhos, não estamos a comandar, nem mesmo planejamos, uma guerra santa.

Em sua obra intitulada Dicionário de Maçonaria, Joaquim Gervasio Figueredo, na página 218 diz: “O primeiro e fundamental Landmark é a crença em um Deus como sendo o Grande Arquiteto do Universo, o Ser que “poderosa e suavemente ordena todas as coisas”, e que, de Seu elevado plano, governa o Seu universo e lhe infunde a Sua vida”.

Uma das primeiras coisas que se aprende ao pesquisar Maçonaria é que para a instituição, os marcos, (ou landmarks) são leis imutáveis, invioláveis. A Maçonaria existe para beneficiar a humanidade. Ela agrega em seu seio homens provenientes de todas as esferas sociais, com uma insuperável variedade de opiniões políticas, religiosas e raciais, onde todos são reunidos e mantidos juntos em uma “quase” perfeita relação de amizade e boa vontade.

Certa vez ao afirmar que a Maçonaria é uma grande benfeitora da humanidade alguém me perguntou: Por que então algumas pessoas e até mesmo organizações religiosas atacam tanto a vocês? Em resposta eu disse: Desde os primórdios de nossa existência (da Maçonaria), temos sido atacados por aqueles que desconhecem nossos objetivos. Embora esta tenha sido minha resposta, nem mesmo eu fiquei satisfeito com ela, não consigo entender o motivo de tanta repulsa, de tanta quizila. Infelizmente é indiscutível a forte probabilidade de que a discordância, a intolerância, por parte de alguns, continue existindo em uma escala espiral progressiva que um dia (parecido com mil anos) deverá desembocar nas águas da verdade, quando então todos os registros serão abertos, e o bem prevalecerá, e a Maçonaria finalmente receba o seu quinhão das mãos daquele que é justo e perfeito, quando então poderemos descansar, pois finalmente teremos construído um templo (perfeito) à virtude.

A Maçonaria não é uma religião, embora seja religiosa. Não somos mais uma denominação religiosa, embora seja um lugar onde todos os homens de todas as religiões podem unir-se e confraternizar-se como irmãos.
Em outros textos de minha autoria tenho citado vários líderes (da Igreja) que viveram no passado, como exemplo de dedicados mórmons maçons, dos quais a história não registra um único que seja, que tenha encontrado algum conflito ideológico ou teológico entre as duas organizações. Atualmente sei da existência de alguns Conselheiros de Templos, Oficiantes, Bispos, Presidentes de Estacas que são maçons, e o que tenho ouvido deles é que não encontraram nenhum conflito que os forçasse a abandonar a fraternidade maçônica. O que me dizem alguns, é que em função de seus chamados têm encontrado alguma dificuldade em atuar assiduamente na Maçonaria, mas, tempo é um problema que todos nós em algum momento da vida precisamos administrar. Sempre haverá conflito entre nossas obrigações religiosas e os outros afazeres, eu mesmo, em tempos passados, algumas vezes deixei de freqüentar minha unidade em função de meu trabalho, mais isto não minou minha fé, por que então a Maçonaria que normalmente se reúne uma vez por semana, e nunca aos domingos, seria um empecilho ao meu progresso espiritual? Desde que fui iniciado Maçom a fraternidade se tornou para mim um forte apoio e influência ao longo de minha viagem rumo ao encontro com o Senhor Jesus Cristo.

Discordo daqueles que buscam na falta de tempo, justificativa para não ser Maçom, pois se o tempo fosse real empecilho nossos líderes seriam todos remunerados, eles teriam que parar de estudar e seriam todos celibatários.

Aos meus irmãos mórmons maçons, deixo um recado: “É essencial que nós sejamos um exemplo na realização das designações que nos sejam apresentadas por nossos líderes, participando ativa e assiduamente dos eventos patrocinados pela Igreja, que nossa fé seja movida pelas boas obras, que sejamos todos devotados homens de família, dediquemo-nos em desenvolver nossos laços de amizade visando o benefício do próximo, pois procedendo assim a Maçonaria e a Igreja de Jesus Cristo continuarão a ser compatíveis, esta é nossa grande responsabilidade como mórmons maçons”.

Amigos e irmãos, estas são algumas de minhas reflexões sobre A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e a Maçonaria, você é livre para aceitar pelo espírito o que tenho dito. “E quando receberdes estas coisas, eu vos exorto a perguntardes a Deus, o Pai Eterno, em nome de Cristo, se estas coisas não são verdadeiras...” (Moroni 10:4). Ao se decidir por julgar se a Maçonaria é compatível ou não, com A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, dispa-se das armaduras do preconceito, não esqueça que ainda hoje o mundo julga o mormonismo através das lentes da ignorância e da intolerância, não aplique esta mesma medida a uma organização “...virtuosa, amável, de boa fama...” (13ª Regra de Fé), “... para que não sejais, porventura, achados combatendo contra Deus...” (Atos 5:39).

por Cesóstre Guimarães de Oliveira

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